Iniciando em Ciclídeos Africanos
por Johnny Bravo
O princípio...
As primeiras perguntas surgem: O que são Ciclídeos Africanos? Por que tantos falam desses peixes e os idolatram?
As primeiras idéias surgem: Como são lindos! Vou colocá-los junto dos meus kinguios e guppies! Minha mãe vai adorar as cores!
Os primeiros conselhos surgem: Meu filho não faça isso! – exclama assustado Johnny.
O aquário de Ciclídeos Africanos...
Brincadeiras à parte, o aquário de Ciclídeos Africanos – carinhosamente chamado de "aqua de CAs" – é um dos tipos de aquários que chamamos de aquário de espécies determinadas. Isso quer dizer que para não se ter dores de cabeça desnecessárias, aconselha-se a conservá-los com certos cuidados, os quais começaremos a abordar agora.
Para introduzi-los no universo desses magníficos peixes ornamentais de água doce, deixa-me apresentar primeiro o ambiente donde vêm. Quando falamos de Ciclídeos Africanos – CAs, estamos tratando de peixes da família Cichlidae (leia-se "ciclide") oriundos de rios e lagos da África, todos com suas específicas qualidades.
Para nós aquaristas, os CAs que mais aparecem nas lojas pertencem a dois principais lagos, o Malawi e o Tanganyka, todavia ainda podemos nos referir a outro importante lago: o Vitória. Dessa forma, na maioria dos casos, quando falamos de CAs, estamos falando de peixes do Malawi ou do Tanganyka.
Esses três lagos citados se formaram a partir de uma falha geológica denominada falha do Rift. São lagos profundos que possuem, como já mencionado, características peculiares. E é por aí que começamos a aconselhar a manutenção das espécies habitantes desses lagos em separado, ou melhor, divididas por lagos – aquários temáticos. Logo em seguida estaremos vendo tais peculiares diferenças de uma forma bem geral.
Malawi...
O mais comum de todos os lagos devido a sua maior variedade de peixes hoje encontrada nas lojas e entre os criadores, bem como sua acessibilidade em termos de preço e resistência dos peixes (por favor, não queira testar isso que estou dizendo, apenas aceite que eles são mais resistentes).
Os peixes do lago Malawi podem ser divididos informalmente em três grandes grupos: Mbunas (ciclídeos das rochas), Haps (antigamente encaixados num único gênero: Haplochromis; São os ciclídeos predadores de zonas abertas) e Aulonocaras (ciclídeos de zonas intermediárias: areia + rochas). De lá provêm os mais conhecidos dentre os CAs, dentre eles o Pombo, o Maingano, o Auratus, o Yellow, o Zebra Super Red, o "Eletric Blue" e muitos outros magníficos peixes.
De forma geral poderíamos caracterizar esses três grupos em grosseiras (nem tanto assim) definições. Os Mbunas possuem corpo fusiforme ("torpedo") e habitam as zonas rochosas, onde marcam seus territórios (reprodução e alimento) e procuram abrigo contra predadores.
Os Haps são os predadores e seu corpo adaptou-se a caça e ao ambiente, pois esses peixes são achatados lateralmente para permitir atuar por entre as pedras atrás de suas presas – na natureza eles atuam sobre peixes menores, tais como os Mbunas juvenis; esses peixes podem defender agressivamente seus territórios de caça. Os Aulonocaras, por sua vez, ficam num estágio corpóreo intermediário. Também são predadores, mas sua agressividade é razoavelmente menor quando comparada aos dois grupos anteriores – os mbunas são, sem comparação, os mais agressivos.
Essas características precisam ser observadas quando estamos escolhendo as espécies que colocaremos no aquário. Seria um grave erro pensar que por seus ancestrais viverem em aquários há décadas, os descendentes perdessem as características primitivas da espécie.
Essas informações comportamentais, bem como as fisiológicas, estão armazenadas nos genes e estão em plena manifestação. Um grande Hap adorará perseguir Mbunas juvenis no aquário, a fim de transformá-los em sashimi. Para os ciclídeos: tamanho é documento!
O lago Malawi possui uma formação rochosa calcária e devido a isso, por meio da dissolução gradual dessas rochas, sua água tornou-se extremamente mineralizada, quando comparada a muitos rios e lagos brasileiros ou de outras partes do mundo. Essa mineralização da água é o que referimos como GH e nada mais significa do que a presença de minerais, como o cálcio, em dissolução. O GH mede principalmente o teor de cálcio e magnésio da água.
Outra característica de grande observância é o pH* da água desse lago, que também atinge níveis muito diferentes dos demais biótipos aquáticos do mundo. Para todos os efeitos, um aquário ideal de CAs do lago Malawi poderia apresentar um GH entre 8 e 10, com um pH de no mínimo 7,8 e no máximo de 8,6. E o KH? Essa é a reserva alcalina, ou seja, é a medida de compostos que asseguram a manutenção do pH, no caso o nível de carbonatos (CO3).
Para assegurar que seu pH não venha a ter uma queda brusca (o que seria prejudicial ao funcionamento fisiológico dos peixes), devido à concentração de matéria orgânica, permita ao aquário dispor de uma reserva alcalina de no mínimo 12 graus. Para todos esses parâmetros existem testes específicos que variam de preço e precisão conforme a marca.
Tanganyka...
Outro fascinante lago africano com fascinantes espécies de ciclídeos. É composto de espécies delicadas de CAs ainda pouco comuns à maioria dos aquariofilistas. Entretanto, hoje em dia, principalmente nas maiores capitais brasileiras, os "Tangs" são encontrados com maior facilidade nas lojas de aquário. O termo Tang se refere aos ciclídeos africanos do lago Tanganyka de um modo geral, logo, não te espanta quando nos fóruns ouvires esse nome em meio às conversas.
Nesse lago é que se encontram o leleupi, o daffodil, o brichardi, o calvus black e as famosas julies e frontosas, obviamente dentre outras dezenas de espécies deliciantes.
Para se manter os peixes desse lago recomenda-se um pouco a mais de cuidado, uma vez que todos os parâmetros considerados até o momento precisam estar em níveis mais elevados do que o requerido para os peixes do lago Malawi.Além disso, o sistema de filtragem deve ser impecável. O pH mínimo recomendado para um aqua de Tangs é de 8,6 (Lembra-te? É o máximo do Malawi!); o GH e o KH precisariam estar em 16 e 16, respectivamente.
Se tu perguntasses: meu leleupi viveria numa água de pH 8,2? A resposta seria provavelmente sim, mas aqui falamos de como deixar seu peixe mais acomodado, pois como sabemos, o aquário, por melhor que seja, é uma pequena poça para a maioria dos peixes e dar-lhes melhores condições é o mínimo que podemos fazer para retribuir a beleza que eles fornecem aos nossos olhos e alma. Em contraponto à pergunta, existem outros Tangs que simplesmente não viveriam bem ali, podendo sucumbir sem maiores motivos ou avisos.
A agressividade desses peixes é incomparavelmente menor em relação aos Mbunas, Haps e Aulonocaras do Malawi, todavia, alguns Tangs são muito intolerantes a exemplares da mesma espécie.
Encontramos nesse aquário também as restrições de mistura de espécies, pois como em todo ecossistema existem aqueles que ocupam o topo da cadeia alimentar. Inserir pequenas (e caras) leptosomas num aquário onde vivem algumas frontosas adultas, seria o mesmo que alimentar o seu gato persa com caviar e lagosta. A lei do MAIOR vale para o Tanganyka também.
A montagem dos aquários de CAs...
Ainda podemos ir mais a fundo na montagem/caracterização de um aquário dos lagos e rios africanos (e para isso temos aqui no site uma ótima explicação sobre os diferentes biótopos.
No caso dos grandes lagos do Rift, que conforme já vimos concentram a maioria das espécies chamadas de CAs, podemos caracterizar o aquário de acordo com as espécies que pretendemos criar.
Temos peixes provindos de zonas de rebentação, zonas rochosas, de areia, vegetada e, obviamente, de regiões mistas.
Considerados os biótopos, um aquário ornamental dito padrão pode ser construído com rochas, areia e/ou plantas, estas últimas, porém, são um caso a parte.
Aquários para CAs devem ser os maiores possíveis, devido basicamente ao territorialismo das espécies. Se houverem condições de se ter um aqua de grandes proporções, como 300 litros, por exemplo, ótimo, caso contrário, devemos respeitar pelo menos a proporção de 2 litros de água do aquário para cada centímetro de peixe. Para se fazer esse cálculo, precisamos considerar o tamanho máximo que a espécie em questão alcance. Por exemplo, um macho de Pombo alcança 10 cm, sendo assim, 10 x 2 = 20, ou seja, um pombo macho precisa de no mínimo 20 litros de água.
Obs: o volume do aquário deve ser calculado a partir do volume útil, ou seja, desconsiderando o volume ocupado por substrato, rochas e a faixa sem água no topo do aquário (ninguém enche o aquário até transbordar, né?!). Assim, um aquário de 100x40x50 não tem 200 litros úteis, irá depender da quantidade de rochas e substrato que irá conter.
Filtragem...
A filtragem do aquário deverá suportar a população do mesmo. Lembremo-nos que a maioria dos aquas de CAs não possui plantas e o oxigênio é obtido pela troca de gases com o ar atmosférico, motivo pelo qual devemos possuir uma ótima circulação de água. Assim, deveríamos possuir uma capacidade de filtragem de 5 a 7 vezes o volume do aquário por hora.
Todos os equipamentos apresentam sua capacidade de circulação, é só somar. Se teu aquário é superlotado, incremente a filtragem acima dos valores aqui indicados e realize manutenções dos filtros com periodicidade acelerada.
Alimentação...
Não, não, não. Não basta comprar a ração mais barata para dar ao CAs. Para nós que temos aquário há muito tempo, afirmamos que é mais provável que tu tenhas mais dores de cabeça do que qualquer outra coisa, fazendo isso. Provavelmente o que tu menos fará será nutrir teu peixe.
Existe uma série de boas marcas no mercado. A má alimentação conduz à debilidade, o que dá campo para bactérias, fungos e parasitas de diversas naturezas agirem sobre o peixe, que enfraquecido cede aos agentes de doenças (R$ com remédios!).
Além disso, as rações ruins comprometem os parâmetros da água e por aí acarretam diversos prejuízos (R$ com condicionadores, alcalinizante + mão de obra extra com trocas parciais de emergência!). Ração boa, quando corretamente ministrada, não turva a água e se converte em saúde para o peixe.
Mas nossos cuidados não param por aí não. Existem espécies vegetarianas (estás pensando que é só o ser humano que tem essas "frescuras"? Não é não.), espécies carnívoras (piscívoras, insetívoras) e as onívoras... entre outras é claro!
O aparelho digestivo das espécies não acompanha a vontade das pessoas em dar de comer aquilo que bem entendem como certo, ou mais fácil. Peixes estritamente vegetarianos não podem receber altas doses de proteína animal (alimento vivo ou ração), pois isso compromete seu equilíbrio biológico e pode levá-lo até mesmo à morte.
E aqueles que são predadores, tais como Aulonocaras ou Haps, devem receber boas doses de alimento vivo, como larvas de tenébrio (um tipo de besouro), enquitréias (um tipo de verme), artêmia (um parente distante do camarão) ou mesmo minhocas (minhocas!). Hoje em dia cultivar esses alimentos é fácil e traz retorno imediato àquele que cuida de aquários.
Corais, conchas e sais...
Há quem use rochas de coral (esqueleto calcário dos corais marinhos) e halimeda (substrato de conchas moídas) para proporcionar ao aquário os parâmetros necessários aos CAs, como o PH, GH e KH a ltos. Funciona? Funciona. Mas não é o ideal para um amante de CAs.
Além do inconveniente da descaracterização total do ambiente dos CAs, as rochas de coral podem se apresentar afiadas, tais como fios de faca, e provocarem cortes nos agitados ciclídeos, fora a questão da degradação ambiental com a retirada indiscriminada de corais para uso em aquários.
Para se livrar desse tipo de solução para obtenção dos parâmetros desejados a um aqua de CAs existe a opção do uso de sais. Existem basicamente dois meios: comprar o sal pronto ou fazer por si só. A primeira é 98% mais cômoda e tu podes adquirir os sais importados (não sai muito em conta, devido ao alto preço e ao baixo rendimento) ou descobrir quem já os faça e encomendar. Fazer o sal tem apenas o inconveniente de teres que procurar quem venda os sais, pesá-los e misturá-los... vencido isso, voila!...
Plantas no aqua de CAs...
Não é recomendável aos principiantes, pois em primeiro lugar a quase totalidade das plantas que conhecemos não suporta os parâmetros de uma aqua de CAs e em outra mão técnicas como o uso de húmus, para fertilização, ou CO2, comprometem a água do aquário com a acentuada queda de pH.
O hábito dos CAs de transformar a tua decoração pode vir a te deixar nervoso, uma vez que eles cavam o substrato para confecção de ninhos e tocas, desplantando aquilo que estiver plantado. Ainda existe o inconveniente de num aquário de "mbunas", por exemplo, as plantas serem rapidamente devoradas...
Os peixes...
Os peixes dos lagos diferem dos demais ciclídeos, americanos e asiáticos, por suas cores e hábitos singulares. Além dos padrões de cores, a maioria das espécies do lago Malawi desenvolveu um método efetivo de desova e incubação dos ovos. Embora também sigam o marcado cuidado parental (cuidado dos reprodutores com sua prole) que é característico da família Cichlidae, tal proteção se dá por meio da eclosão dos ovos na cavidade bucal. Porém, o curioso fato não encerra aí, os filhotes após nascerem ainda permanecem algo em torno de 15 dias (dependendo da espécie) na boca da mãe, desenvolvendo-se. No total, considerando eclosão de ovos e incubação da prole, temos um período mínimo de 20 dias. As fêmeas passam esse período em jejum. Essa estratégia assegura a sobrevivência da prole, evitando predadores e uma série de ameaças que normalmente os animais enfrentam em seus estágios iniciais. Dessa forma a evolução fez com que tais fêmeas passassem a produzir menor número de ovos, uma vez que esses peixes investiram mais na estratégia de proteção da prole do que na quantidade de ovos a produzir.
Muitos CAs são extremamente parecidos quando jovens e mesmo a identificação entre espécies é dificultada ou impossibilitada (não faço menção aqui a taxonomistas e sim a aquaristas) – tanto que é comum a venda trocada de peixes na lojas. Em suas fases iniciais é dificílima também a identificação de sexos entre os peixes de uma mesma espécie através de visualização simples, portanto, ao comprar um "casal" de filhotes numa loja saiba que o lojista pode estar agindo de má fé ou simplesmente por desinformação ao te vender pode vender dois exemplares do mesmo sexo.
Existem, porém, métodos de verificação morfológica que são absolutamente desaconselháveis àqueles que iniciam, portanto, não entraremos nos méritos nesta seção.
A lista de peixes...
Existe uma larga lista de espécies de CAs, que aborda peixes oriundos de lagos e também de rios. A seguir apresentamos as principais e mais marcantes divisões que se julgou interessante falar.
Para maior compreensão dos quadros, acompanhe as legendas:
Legendas:
Agressividade
1: passivo (para um CA)
5: muito agressivo.
Dieta
EV = estritamente vegetariano (esta classe não deve receber alimento vivo)
V = vegetariano (esta classe pode receber vez ou outra algum alimento vivo)
O = onívoro (esta classe deve receber alimentação variada)
P = predador (esta classe deve receber um reforço em alimentação viva)
| MALAWI | Nome Vulgar |
Classe |
Cm |
Agr. |
Dieta |
| Gênero Melanochromis | |||||
| M. cyaneorhabdos "Maingano" | Maingano |
Mbuna |
11 |
3 |
V |
| M. chipokae | Chipokee |
Mbuna |
11 |
5 |
V |
| M. auratus | Auratus |
Mbuna |
11 |
5 |
V |
| Gênero Labeotropheus | |||||
| L. trewavasae | Mbuna |
15 |
3 |
EV |
|
| Gênero Labidochromis | |||||
| L. caeruleus "yellow" | Electric Yellow |
Mbuna |
15 |
1 |
O |
| L. sp. "Mbamba" | Mbamba |
Mbuna |
15 |
3 |
O |
| Gênero Pseudotropheus* | |||||
| P. demasoni "Pombo" | Pombo |
Mbuna |
10 |
4 |
EV |
| P. crabro | Crabro |
Mbuna |
13 |
4 |
O |
| P. saulosi | Mbuna |
10 |
4 |
EV |
|
| P. estherae | Zebra "super red" |
Mbuna |
13 |
5 |
EV |
| P. lombardoi | Kenyi |
Mbuna |
13 |
4 |
EV |
| Gênero Scieanochromis | |||||
| S. fryeri | Electric blue |
Hap |
15 |
1 |
P |
| Gênero Nimbochromis | |||||
| N. livingstonii | Livingstoni |
Hap |
18 |
1 |
P |
* O gênero Pseudotropheus pode ser encontrado também sob as seguintes sinonímias: Metriaclima e Maylandia, pois existe ainda divergência entre os taxonomistas.
| TANGANYKA | Nome Vulgar |
Classe |
Cm |
Agr. |
Dieta |
| Gênero Neolamprologus | |||||
| N. leleupi | Leleupi |
Shell-dweller |
13 |
1 |
O |
| N. pulcher | Daffodil |
Grupo brichardi |
15 |
1 |
O |
| N. brichardi | Princesa do Burundi |
Grupo brichardi |
10 |
1 |
O |
| N. cylindricus | Grupo brichardi |
13 |
1 |
O |
|
| Gênero Tropheus | |||||
| T. duboisi | Tropheus |
13 |
1 |
EV |
|
| Gênero Lamprologus | |||||
| L. speciosus | Shell-dweller |
8 |
3 |
O |
|
LOCAL |
pH* |
pH para o aquário |
| Lago Malawi | 7,8 – 8,6 |
8,2 |
| Lago Tanganyka | 7,8 – 9,0 |
8,6 |
| Lago Vitória | 7,6 – 8,4 |
8,2 |
| Lago Barombi Mbo | 7,8 – 8,2 |
8,0 |
| Rio Niger | 6,8 – 8,0 |
7,0 |
| Rio Zambezi | 6,6 – 7,0 |
6,8 |
| Rio Shire | 7,4 – 7,6 |
7,4 |
* a variação aqui apresentada remonta às variações ocorridas considerando as épocas de chuva e também as diferentes regiões dos lagos e rios, portanto, não se aconselha deixar o pH oscilar em tão acentuada escala num aquário. O correto é adequar o pH do aquário de acordo com a espécie em questão.
Peixes de Rio: Jóia (Shire), Kribensis (Niger), Livingstoni (Atualmente encontrado na cabeceira do rio Shire)
Peixes do Lago Vitória: Zebra obliquens
Johnny Bravo - 2003 - 2004
