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Ciclídeos NeoTropicais Anões - Introdução ao Gênero Apistogramma

Muitas pessoas se perguntam quais as informações básicas que se precisa saber para começar a criar apistogrammas e mantê-los bem em seus aquários. O acesso a essas informações muitas vezes não é tão fácil e para tentar ajudar aqueles que querem conhecer um pouco mais sobre a criação dessa maravilhosa espécie procuramos fazer um texto básico, mas com pontos importantes para iniciar nessa empreitada.

Introdução

Apistogramma é um gênero da família Cichlidae da ordem Perciformes. Os primeiros relatos de sua descrição datam de 1862. O nome apistogramma é atribuído a Regan e foi proposto inicialmente em 1906 sendo seu uso efetivado a partir de 1913. Apistogramma se refere a "linha irregular" – do grego apistos: irregular e gramma: linha – menção esta feita à linha horizontal lateral que se observa ao longo do corpo das espécies do gênero. Sua distribuição até o momento se reserva à América do Sul, principalmente nas áreas tropicais podendo também ser encontrados em regiões subtropicais. Eles são peixes que podem ter um tamanho que varia de 2 a 10 centímetros de comprimento o que os tornam excelentes peixes para os diversos tipos de aquário.

As Condições de Água

Não só os apistogrammas, mas os ciclídeos anões de um modo geral necessitam de água de excelente qualidade, livre de compostos nitrogenados.

Quando falamos em parâmetros pensamos em água ligeiramente ácida (6,4 - 6,6) e mole. No entanto, os apistogrammas são encontrados em uma grande variedade de cursos d'água o que amplia consideravelmente a variação de pH onde podem ser achados - de 4,0 a próximo de 7,0. A temperatura pode variar de 23 a 30 graus sendo que para a manutenção da maioria das espécies em aquário 28 graus é um bom valor.

Algumas espécies são encontradas em águas claras. Outras em águas escuras com um "tom de chá" que pode ser obtido através de folhas de amendoeira, casca de coco, troncos, produtos industrializados para essa finalidade, etc.

O Aquário de Apistos

O ideal é que o aquário tenha ao menos 60 litros, pois são peixes territorialistas. Neste pode-se criar um casal ou tem-se a opção pela manutenção de exemplares machos. Quando se opta pela manutenção de grupos de machos num mesmo aquário, o ideal é tê-los em número de ao menos três. Ressalta-se que se deve evitar ter no aquário machos da mesma espécie com o intuito de tentar minimizar eventuais brigas entre eles. Em ambos os casos – um casal ou grupos de machos – pode-se ter outras espécies de peixes convivendo com os apistos, desde que compatíveis com mesmo tipo de água. Porém, ao se criar casais, é preferível que se tenha espécies tranqüilas no aquário para minimizar o possível estresse causado à fêmea na época de desova, evitando-se com isso perdas da ninhada. Assim, peixes como otocinclus, parotocinclus, coridoras são recomendados. Outros peixes como tetras podem ser colocados no aquário desde que se tenha em mente que os filhotes terão dificuldades de se protegerem de predação, mesmo com a mãe cuidando deles. Caramujos como o Red Ramshorm, os quais suas crias servem de alimento para os apistos, também podem povoar o aquário.

O aquário deverá ter muitas tocas, que podem ser feitas com troncos, vasos de barro ou casca de coco, que servirão de refúgio/abrigo e de local de desova para as fêmeas. Além disso, plantas são sempre recomendadas e caso se utilize iluminação forte é interessante que se tenham plantas altas que possam fazer áreas de sombras, pois muitos peixes ficam mais a vontade nestes casos.

Alimentação

O ideal é que se utilize ração industrializada de boa qualidade alimentando várias vezes ao dia em pequenas quantidades. Deve-se variar a alimentação e sempre que possível alimentá-los com alimentos vivos como artemias, dapnhias, enquitréia, tubifex, bloodworm, etc.

Cuidado especial deve ser dado à alimentação dos filhotes nos primeiros meses de vida. Eles deverão ser alimentados o maior número de vezes por dia com, por exemplo, microvermes e artêmia recém eclodida e por volta de duas semanas após nascerem já podem ser alimentados com enquitréia também. Conforme vão crescendo dá-se inicio à adaptação com ração industrializada podendo-se utilizar ração própria para filhotes.

Uma dica ao comprar qualquer tipo de peixe é perguntar ao vendedor que tipo de alimentação este está recebendo e se possível observá-lo durante a alimentação para ver o apetite, evitando-se assim problemas para alimentá-lo em casa.

Reprodução

Ao contrário do que muitos pensam a reprodução dos apistos, com algumas exceções, é relativamente fácil. Um casal em um aquário que tenha água nos parâmetros certos para a espécie e sempre limpa tem bastante chance de desovar e vingar a ninhada. Outro fator importante é uma alimentação de qualidade que manterá os peixes sempre saudáveis e com condições de se reproduzirem.

O aquário para o casal deverá ter sempre tocas onde a fêmea depositará os ovos. Plantas como musgos são interessantes no aquário para que os filhotes possam explorá-lo e se sentirem mais seguros bem como produzir um microambiente ideal para eles. Assim, o comportamento inicial observado com o casal é o macho correndo atrás da fêmea e esta inicialmente fugindo dele. Quando ela se torna pronta para a reprodução dá-se o inicio do namoro onde o macho começa a se mostrar para a fêmea e esta não mais passa a fugir dele, mas sim aceita a sua aproximação e escolhem uma toca onde ocorrerá a desova.

Logo após ocorrer a desova, a fêmea passa a proteger ferozmente a sua prole afastando até mesmo o macho do local, muitas vezes ficando até dias sem que ela saia de sua toca. A fêmea ganha uma coloração diferente em seu corpo nesta época, podendo variar de laranja ou amarelo de acordo com a espécie. Por ficar muito agressiva, algumas vezes se torna necessária a retirada do macho do aquário para que ele não apanhe muito da fêmea. Neste caso deve-se tentar retirá-lo de modo que a estresse o menos possível. O nascimento dos filhotes ocorre por volta de 36 horas após a desova. Com o nascimento, eles ainda permanecem na toca, podendo a fêmea eventualmente movê-los para outro lugar que achar mais seguro até que eles possam começar a nadar, o que pode ocorrer a partir do 4 dia após o nascimento. Ao começarem a nadar, a fêmea passa a explorar o aquário com os filhotes. É neste momento que se deve dar início à alimentação deles com alimento vivo. Ao começarem a nadar, o cuidado que se deve ter com os filhotes é a proteção da entrada de água do filtro, para que eles não sejam sugados para dentro deste. No caso de filtros externos pode-se diminuir a vazão, nos que possuem esse recurso, e usar uma espuma em sua entrada para proteger. Em aquários que são usados somente para a reprodução, para que não se tenha problemas com a filtragem, costuma-se utilizar filtro de espuma com aeração.

Caso o aquário tenha um tamanho pequeno, provavelmente será necessária a separação da fêmea após algumas semanas, pois esta poderá não mais aceitar a presença dos filhotes perto dela. Isso pode começar a ocorrer a partir de duas semanas. Portanto, deve-se sempre observar o comportamento dela para com os filhotes a fim de evitar que ela os ataque. Em aquários maiores é possível manter a fêmea de modo que os filhotes tenham bastantes esconderijos para se protegerem. Quando não há a necessidade de retirar o macho, pode-se ter gerações de filhotes convivendo no aquário tranquilamente.

Acompanhar as fases do comportamento reprodutivo do casal é apenas um dos atrativos que podemos observar dos peixes do gênero Apistogramma. Sua grande variedade de espécies com diferentes formatos do corpo e das nadadeiras, de cores, tamanhos e comportamentos dos mais diversos fazem desses lindos peixes uma ótima escolha para aquários de água doce.

Rafael Freitas e Fernando Perini - CMCA´S 2008