Rio Limpopo
O Rio dos gigantes

Existe um rio no sul da África que lentamente abre o seu caminho na imensidão selvagem, uma vasta região com grande diversidade de habitats, onde seus habitantes são tão poderosos e impressionantes quanto o próprio rio. Este é o verde-acinzentado Rio Limpopo, o “Rio dos gigantes”. Este rio forma parte da fronteira entre a África do Sul, Botswana e Zimbabwe, percorre o território de Moçambique, até desaguar no Oceano Índico.
O Rio Limpopo
O Rio Limpopo nasce em um local impressionante: a cidade de Joanesburgo, na África do Sul, uma das maiores cidades do continente africano. A partir desta cidade forma-se o Rio dos Crocodilos, que corre para noroeste pela fronteira com Botswana para encontrar com o Rio Marico. Juntos, estes dois rios unem forças e se transformam no Rio Limpopo, que percorre 1.800 km pelo rico santuário da vida selvagem de Tuli Block em Botswana, passando pela fronteira sul de Zimbabwe, adentrando o território Moçambicano.
Em Tuli Block o Rio Limpopo prova que é um verdadeiro gigante, não só pelo seu tamanho mas também pela diversidade de ecossistemas, que variam consideravelmente entre as estações.
A partir do mês de Maio, quando as chuvas são escassas, o Rio Limpopo se transforma em um verdadeiro regato, contradizendo a fama de “Rio dos gigantes”. Os animais se reúnem à beira do rio e das pequenas lagoas de águas escuras que são formadas nesta época: elefantes, zebras, gnus, entre outros, que se tornam presas fáceis para predadores como as grandes jibóias e os leopardos. Como o rio corre pouco nesta época, propicia o aparecimento de muitas algas, que são um banquete para as tilápias e para os outros peixes que lá vivem.
No final do inverno, as pequenas lagoas formadas na estiagem já estão praticamente secas, concentrando cada vez mais animais. Os gamos, animais muito tímidos, aparecem junto aos outros para saciar a sede. Cegonhas senegalesas caçam as tilápias que estão muito gordas, de tanto comer algas. O crescimento destas retira quase todo o oxigênio dissolvido na água, fazendo com que peixes como os bagres venham à superfície para tentar respirar e também acabam se tornando presas fáceis.
A partir de Novembro, antes mesmo das inundações dos rios dos Crocodilos e Marico atingirem o Limpopo, as primeiras chuvas já são o sinal para os sapos-boi acasalarem-se. Algumas semanas após as primeiras chuvas, o Rio Limpopo já está bastante cheio, um verdadeiro gigante com mais de 1 km de largura em alguns pontos. Sua coloração se torna marrom, inunda planícies e vai destruindo tudo o que encontra pela frente, como grandes árvores secas
As enchentes do Limpopo provocam transtornos para os moradores
A época da fartura volta para os habitantes da planície do Limpopo. Os animais agora estão mais dispersos. Após a passagem do pico da enchente, o nível d’ água do Limpopo começa a baixar em pouco tempo. Abaixo da superfície, os machos de tilápia começam a preparar os ninhos e delimitar os seus territórios, chamando a atenção das fêmeas que serão cortejadas.
O inverno já se aproxima novamente, o nível do rio abaixa começando a revelar novamente os seus bancos de areia. Nas manhãs, cada vez mais frias, uma neblina cobre todo o vale do Limpopo, e evapora-se conforme o sol vai levantando. Os filhotes de tilápia, já com tamanho suficiente para andarem sozinhos, logo serão presenteados com um banquete de algas propiciado pelo baixo nível do rio. E assim completa-se o ciclo do Rio Limpopo.
Existem cinco espécies de ciclídeos no Rio Limpopo, segundo a literatura internacional. São elas: Chetia flaviventris, Oreochromis mossambicus, Pseudocrenilabrus philander philander, Tilapia rendalli, e Tilapia sparrmanii.
Autor: Auder Machado Vieira Lisboa
Data: Dezembro de 2003
Fontes:
Africa’s Great Rivers: Limpopo, river of giants – Discovery Channel
Fish Base – www.fishbase.org

