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Peixes Tingidos porque não comprar? Leia o texto abaixo!

Porque é cruel colorir/tingir artificialmente?

O Dr. Stan MacMahon e o Dr. Peter Burgess explicam o dano feito aos peixes quando eles são barbaramente injetados com tinta.

Alguns criadores, possivelmente até mesmo alguns comerciantes, podem ficar confusos acerca do porquê de tanto alvoroço feito sobre os peixes tingidos. À saber, a prática de colorir ou “tingir” o peixe parece bastante inócuo e os espécimes artificialmente tingidos são certamente muito atrativos nas suas variadas cores “fluorescentes”. Assim sendo, porque se pressiona tanto para banir voluntariamente a sua venda? As nossas investigações revelaram a verdade por detrás da saga do peixe tingido.

Disco Fish (Peixe discoteca)

O nosso primeiro encontro com peixes tingidos remonta aos recentes anos 80. Milhares de Peixes Vidros coloridos artificialmente, Parambassis ranga (antigamente Chanda ranga) foram importados para o Reino Unido. O Peixe Vidro, assim nomeado por causa de seu corpo naturalmente semitransparente, obviamente se transforma num “objeto” ideal a ser “pintado.”.

Foram vistos com sombras fluorescentes de qualquer tipo de azul, púrpura, vermelho, amarelo, laranja ou verde produzido através de tintas. Eram (e ainda são) importados debaixo dos nomes “Peixes Vidro pintados” ou “Disco Fish“ “peixe discoteca” (presumivelmente porque as suas cores quase fluorescentes se assemelham às luzes das discotecas).

Como a tinta é aplicada?

Intrigados sobre como a tinta era aplicada decidimos levar a cabo uma pequena pesquisa. Alguns Peixes Vidro Coloridos eram anestesiados com anestésico MS222 e observados através de um microscópio binocular. Tornou-se claro que a tinta não está na superfície do peixe, mas numa camada por debaixo da epiderme. Além disso, a tinta aparece fluida e poderia ser movida ligeiramente apertando com suavidade a área colorida.

Isto sugeriu que a tinta deveria ter sido injetada em vários locais sobre o corpo do peixe para formar os distintos padrões de cor. Os nossos medos foram confirmados após alguns anos quando nos foram mostradas diversas fotografias do processo de coloração que revelam que cada peixe é infetado individualmente usando uma seringa e agulha.

A prática da injeção de tinta é empreendida por “fazendeiros de peixe” em algumas regiões da Ásia (mas até onde sabemos não em Singapura). Claramente, o nome comum “Peixes Vidro pintados” é uma cruel descrição enganosa.

Se considerarmos, relativamente a nós, o tamanho da agulha usada nas injeções dos Peixes Vidro, isto seria o equivalente a recebermos várias injeções usando uma agulha de diâmetro idêntico a um lápis – não é um pensamento agradável. Como cientistas com experiência em peixe, nunca sonharíamos em injetar peixes de tão pequenas dimensões. Não admira o processo de injeção ser acusado de causar uma tão alta mortalidade.

Aumentando o risco de doenças...

Uma pesquisa, a qual nós levamos a cabo no sul de Inglaterra, revelou que mais de 40% dos Peixes Vidro pintados parecem sofrer de vírus de lymphocystis. Esta doença manifesta-se no crescimento de umas pequenas manchas/pontos brancos no corpo e barbatanas do peixe.

Um exame a estas manchas/pontos brancos feito com o poderoso microscópio de elétrons confirmou o nosso diagnóstico. Em contraste, menos de 10% dos Peixes Vidro naturais (não pintados) tiveram lymphocystis.

É possível que o processo de injeção aumente os riscos desta doença, talvez transmitindo o vírus de peixe para peixe através da agulha (a mesma agulha é usada para injetar dezenas ou até mesmo centenas de peixes).

Alternativamente, o stress de serem injetados com a tinta pode diminuir a imunidade natural do peixe ao lymphocystis. Deve ser dito que, em nossa experiência, esses Peixes Vidro que sobrevivem ao processo de injeção continuam a viver vidas relativamente normais, apesar da presença da tinta que ostentam dentro dos seus corpos. A tempo, a tinta desvanece.

Parte moral

Muitas pessoas acreditam que os peixes não sentem dor e assim sendo injetá-los com tintas é perfeitamente aceitável. De fato, evidências científicas que tem vindo a aumentar sugerem que os peixes são realmente capazes de sentir dor, no entanto não temos nenhum modo de saber se eles percebem os eventos dolorosos da mesma maneira como nós o fazemos.

Assim sendo, é provável que a injeção de tinta seja uma experiência dolorosa para os pobres Peixes Vidro. Justo será dizer que muitos comerciantes e Aquaristas estão enganados, da mesma maneira que nós estávamos também, em pensar que estes peixes eram simplesmente pintados com a tinta.

Agora que a verdade foi dada a conhecer a todos, é tempo de parar com esta prática cruel, de uma vez por todas.

Outras espécies que às vezes são tingidas

Peixes Vidro não são a única espécie que é sujeita à coloração artificial. Muitos tipos de peixes albinos são também “objetos” ideais para colorir. Nós observamos os seguintes peixes coloridos artificialmente no Reino Unido, e suspeitamos que possa haver outros:

Versões albinas de Corydoras (peixe-gato), como aeneus; Barbo Tigre; Epalzeorhynchus Albino (antigamente Labeo) como o tubarão de rabo vermelho; os tetras preto e algumas espécies de Botias.

Tipicamente estes exibem vermelho ou azul em parte do corpo, mas as tintas não são tão luminosas ou fluorescentes quanto as que injetam nos Peixes Vidro.

Peixes que têm corpos pálidos ou semitransparentes como os Peixes Vidro, Kryptoterus, também sofrem.

Outros peixes em oferta

Um fornecedor na Tailândia oferece atualmente uma larga gama de peixes tingidos na sua lista de estoque on-line que estão claramente marcados como sendo injetados.

A revista inglesa Practical Fishkeeping fez uma campanha, vencedora de um prêmio, que começou em 1996 tendo pedido a lojistas aquáticos que assinassem um compromisso de que eles não venderiam peixes tingidos. A maioria de lojistas britânicos inscreveu-se e os peixes tingidos são agora relativamente incomuns no Reino Unido.

Este artigo foi primeiramente publicado em Março de 1998 por Practical Fishkeeping. Dr Stan MacMahon and Dr Peter Burgess (published online: 02.14.03) 927 words, 24515 hits Fonte: http://www.practicalfishkeeping.co.uk/pfk/pages/show_article.php?article_id=72